SaúdeSUDEP: informação e controle das crises ajudam a prevenir mortes súbitas na epilepsia
Outubro é o mês de conscientização sobre SUDEP (morte súbita na epilepsia), sendo o dia 21 de outubro o dia de ação para a SUDEP (SUDEP Action Day). Conversar sobre este tema é muito delicado, mas importante.
Por definição, a SUDEP é toda morte que ocorre de forma súbita, inesperada, testemunhada por alguém ou não, que pode ou não ter evidência de que a pessoa teve uma crise antes da morte e esta morte não pode ser devida ao status epilepticus (que são crises contínuas com duração acima de 30 minutos). Além disso, nos exames pós-morte não pode haver evidência toxicológica ou anatômica que justifique a morte. Ou seja, não há uma explicação para o óbito.
A SUDEP é um evento raro, que acomete 1 a cada 1000 pessoa com epilepsia por ano. É mais prevalente em adultos jovens e em pessoas cuja epilepsia é resistente a fármacos. Nestes casos, sua incidência chega a ser de 6 casos a cada 1000 pessoas por ano.
Cada vez mais as pesquisas clínicas e experimentais demonstram um caráter multifatorial na SUDEP.
Dentre os fatores de risco para a SUDEP, o principal é a presença de crises tônico-clônicas generalizadas (convulsões). Desta forma, o bom controle de crises e a adesão ao tratamento anticrise é fundamental para prevenir a SUDEP.
Outros fatores que estão relacionados à SUDEP são a epilepsia de longa duração, crises noturnas, apneia obstrutiva do sono e alterações em áreas do sistema nervoso que controlam o sistema cardiovascular e respiratório, podendo levar, por exemplo, a arritmias e apneias durante e imediatamente após as crises e até mesmo no período entre elas.
Portanto, a SUDEP é um assunto que deve ser abordado e esclarecido aos pacientes, pois o conhecimento e a informação são sempre os melhores aliados das pessoas com epilepsias. É importante estimular os pacientes a perguntarem aos seus médicos sobre SUDEP. Ele pode estratificar o risco do paciente e indicar medidas preventivas. Conhecer sobre SUDEP salva vidas.
Para contribuir com a disseminação de informações e ajudar na prevenção da SUDEP, os professores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (ICB/UFG), Aline Priscila Pansani e Diego Basile Colugnati, lideram o projeto de extensão Epilepsia em Foco e também o Grupo Amigos Antimortalidade em Epilepsia (AAME), vinculado à Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), os quais realizam diversas atividades de conscientização sobre a SUDEP ao longo deste mês de outubro.
Heder Vieira, embaixador da ABE e integrante da AAME, acompanha de perto esta realidade. Aos 14 anos, perdeu o pai por morte súbita inesperada após uma crise epiléptica em um campo de futebol. Hoje, atua ativamente na conscientização sobre SUDEP junto às ações realizadas pela AAME no estado de Goiás.







